16.3.07

Um tesouro...

"Trazemos, porém, este tesouro em vasos de barro, para que se veja que este extraordinário poder é de Deus e não é nosso." (2 Cor 4, 7)

28.1.07

Dimensão missionária do celibato pelo reino:

CAPÍTULO XV

CELIBATO-VIRGINDADE “PELO REINO DE DEUS”:

AMAR “COM TODO O CORAÇÃO


III. As quarto dimensões do celibato pelo Reino de Deus.

O celibato ou a virgindade pelo Reino de Deus é um aspecto que tem sido decisivo e definido na vocação da vida monástica ou religiosa, desde as suas origens. A aliança com Deus vive-se também na Vida Religiosa. A missão é também um compromisso tão sério como formar a família do reino que por ela se põe toda a afectividade e corporeidade ao seu serviço. Esta aliança pede-nos: “amar a Deus com toda a nossa interioridade, com o centro da nossa existência, com a nossa intimidade e com toda a nossa afectividade”. A primeira comunidade cristã, entendeu que o amor de Deus com todo o coração, traduz-se num amor comunitário e fraterno, que nos leva a ter todos “um só coração”. Isto é, um amor com todo o nosso coração voltado para os irmão e irmãs, donde manifestamos o nosso amor a Deus.

O celibato evangélico não é unicamente continência sexual, amor que se entrega e é capaz de dar a vida pelos que ama. È um amor que não forma uma família, um amor que surge de uma sedução. O amor com todo o coração verifica-se na Vida Religiosa em três dimensões: missionária, comunitária e ecológica.

1. Dimensão missionária do celibato pelo reino:

ao serviço e cuidado da vida.

O celibato “pelo reino” não tem unicamente o reino de Deus como fundamento. É uma forma de serviço para a causa do reino. Assim entendeu Jesus na sua vida e na comunidade que fundou.

a)Célibes pelo amor aos outros.

O celibato de Jesus e o celibato do cristão não aparece como um celibato ascético, que tem como objectivo o autoaprefeicoamento; é um celibato para a relação, a missão.

Assim como a pobreza fez Jesus perto dos mais pobres, assim o celibato o aproximou aos solitários da terra. O celibato revela-se assim em Jesus, como um aspecto singular do seu amor preferencial para com os mais pobres; um amor que se deixou marcado na sua própria carne. O que os outros eram por necessidade, ele foi por amor.

Jesus proclamou com o seu celibato que todo o homem, é chamado a formar uma única família dos Filhos de Deus. O celibato de Jesus continha uma provocadora força politica. Opunha-se a uma sociedade fechada, exclusiva e discriminatória.

b) O celibato como forma de opção pelos mais pobres e solitários.

Como seguimento de Jesus, o nosso celibato é também um modo de disponibilidade para trabalhar pela justiça, pelo amor, pela paz e fraternidade, pelos grandes valores do Reino.

O celibato-virgindade coloca em cada um de nós e em cada comunidade uma impaciente inquietude, que nos leva a comprometermo-nos até a morte para “que se reúnam os filhos de Deus dispersos”. Quem professa o celibato-virgindade evangélica sente-se afectivamente perto dos grupos marginais da sociedade.

O celibato pelo Reino é uma forma de superar o temor ao sexo oposto como tentação, para recuperar como companheiro ou companheira na missão libertadora do Evangelho.

O celibato pelo Reino supõe optar evangelicamente pela libertação do povo, e resgatar os oprimidos.

O celibato da virgindade pelo reino tem uma iniludível / evidente força profético-politica. Manifesta que o coração de Deus está, sobre todo, com os mais oprimidos dos seus Filhos para resgata-los e denuncia o poder do maligno.

O amor celibatário e virginal do reino inspira acções e iniciativas da generosidade em favor dos solitários e dos abandonados.

IV A PRÁTICA DO AMOR - ERICH FROMM

Como colocar em pratica de arte de amar?

Como se poderá aprender uma arte senão através da prática?

Na vida não se encontra instruções sobre como ser amado.

Amar é uma experiência pessoal que cada um tem de viver individualmente. São poucas as pessoas que não tenham passado por esta experiência (crianças, adolescentes e adultos).

Se analisarmos a prática do amor, permitirmos-à discutir a arte de amar, as formas de a abordar e de a pôr em pratica.

A prática de uma arte tem certos pré-requisitos, exige a disciplina.

Podia-se pensar que não há nada que o Homem moderno aprenda mais facilmente do que a disciplina. Ela passa oito horas por dia a trabalhar de forma disciplinada num emprego rotineiro. Mas, na verdade, o homem moderno tem muito pouca disciplina fora da esfera do trabalho.

Quando não esta a trabalhar, gosta de ser preguiçoso, quer descansar. Esta vontade de descansar é uma reacção contra a rotina da vida quotidiana.

O problema do homem moderno foi que começou a desconfiar da disciplina. Sem disciplina a vida torna-se fragmentada e caótica, sem qualquer concentração.

Concentração é a condição necessária para a execução de uma arte. Esta virtude é cada vez mais rara. É mais rara que a disciplina. A nossa cultura produz um modo de vida desconcentrado. Esta falta de concentração é evidente na nossa capacidade de suportar a solidão. Estar quieto, sem falar nem fumar, nem beber, nem ler é para muitos imposs´vel. Há uma necessidade de ocupar as mãos e a boca.

Qualquer pessoa que tenha tentado aprender uma arte sabe que a paciência é necessária para se produzir resultados. Quem quiser obter resultados rápidos nunca aprendera uma arte.

Para o homem moderno, a paciência é tão difícil de conseguir quanto a disciplina e a concentração. Todo o nosso mundo industrial se baseia no oposto: a rapidez. Todas as máquinas são concebidas para a velocidade.

Não se começa a aprender uma arte de forma directa, mas antes de uma forma indirecta. Começa-se por aprender uma grande quantidade de coisas, antes de se aprender a arte propriamente dita. Por exemplo um aprendiz de carpinteiro começa por aplainar madeira; um estudante de piano começa por fazer escalas, etc.

Quem se quiser tornar um mestre em qualquer arte deve dedicar-lhe poda a sua vida; ou, pelo menos fazer dessa arte um ponto fulcral (central) da sua vida.

Qualquer pessoa que queira ser um mestre na arte de amar deve começar por praticar a disciplina, a concentração e a paciência ao longo de toda a sua vida.

Como é que se pode praticar a disciplina?

Para os nossos avós, a disciplina, consistia em levantar-se cedo, trabalhar arduamente e não viver uma vida demasiado luxuosa. Levantar-se a uma hora razoável, dedicar algum tempo à meditação, à leitura, à música, a exercícios moderados, não comer nem beber de mais.

È essencial que a disciplina não seja praticada como uma regra imposta do esterior, mas que se torne uma expressão da nossa própria vontade.

É triste que o conceito de disciplina seja entendida como uma coisa desagradável e que só “faz bem” por ser desagradável. No oriente reconhece-se que aquilo que é bom para o ser humano, também tem de ser agradável.

A concentração é a virtude mais difícil de praticar na nossa cultura, onde tudo parece conspirar contra a capacidade de concentração. Um dos passos mais importantes para aprender é saber estar sozinho. Na verdade, concentrar-se significa ser capaz de estar sozinho consigo mesmo.

Parece paradoxal, mas, a capacidade de estar sozinho permite que se tinha a capacidade de amar.

No que diz respeito à nossa relação com os outros, estar concentrado significa sobretudo ouvir. A maior parte das pessoas ouve os outros e chega mesmo a dar conselhos sem estar realmente a ouvir.

Qualquer actividade que seja feita com concentração desperta-nos. Concentra-se significa viver intensamente o presente, o aqui e agora, sem pensar na próxima coisa a fazer enquanto estou a fazer outra.

A concentração também deve ser praticada. Ele exige por vezes a paciência. Um exemplo vivo da experiência é de uma criança, que quando começa a andar, vai caindo, caindo até aprender a andar sem cair.

Não se pode aprender a concentração sem cultivar a sensibilidade de si. O que é que significa? O exemplo disto é a reacção e sensibilidade de uma mãe em relação ao seu filho que encontramos o exemplo mais óbvio. A mãe nota certas mudanças, pedidos e ansiedade s mesmo antes de estes serem expressos abertamente.

Isso significa que ela está sensível às manifestações da vida da criança; ela não está ansiosa nem preocupada, mas num estado de equilíbrio e de alerta.

Qualidades específicas necessárias para amar.

A principal condição para se atingir o amor é a capacidade de ultrapassar o narcisismo. A personalidade narcísica só considera real aquilo que existe em si; os fenómenos do mundo exterior não têm qualquer realidade em si, mas são vistos apenas como sendo úteis ou perigosos para o eu.

O pólo oposto ao do narcisismo é o da objectividade. Todos nós temos uma visão subjectiva do mundo, distorcido pela nossa tendência narcísica.

A razão é aquilo que nos permite pensar de forma objectiva e a atitude emocional subjacente à razão é a humildade. Ser objectivo e racional só é possível a quem tenha uma atitude humilde e tenha abandonado os sonhos infantis de omnisciência e omnipotência.

No que diz respeito à arte de amar, isto significa que o amor implica o desenvolvimento da humildade, da objectividade e da razão.

A humildade e a objectividade são indivisíveis, tal como o amor.

Se quero aprender a arte de amar, devo tentar ser objectivo em qualquer situação e reparar naqueles casos em que não consigo sê-lo.

Ser capaz de ser objectivo e racional é meio caminho andado para aprender a amar.

A capacidade de amar depende da capacidade de ultrapassar o narcisismo; depende da nossa capacidade de crescer, de desenvolver uma orientação produtiva na nossa relação com o mundo e connosco mesmos. Este processo de libertação pressupõe a fé.

O que é a Fé?

Temos que distinguir a fé racional da fé irracional. A fé irracional, consiste numa crença, em algo ou em alguém que se baseia na submissão a uma autoridade irracional. A fé racional é uma crença que está enraizada na nossa experiência do pensamento e do afecto, uma questão de ter certezas e convicções firmes. A fé é uma característica da personalidade na sua totalidade, mais do que uma crença específica.

Na esfera das relações humanas, a fé é uma qualidade indispensável para qualquer amizade importante ou para qualquer relação amorosa.

“Ter fé” noutra pessoa significa ter a certeza que as suas atitudes fundamentais a sua personalidade e o seu amor são fiáveis e inevitáveis; que pode mudar de opinião, mas que as suas convicções de base serão as mesmas.

Só quem têm fé em si mesmo é capaz de ser fiel aos outros. A fé em si mesmo é o que permite que se tenha a capacidade de fazer promessas.Ter fé, significa acreditar também nas competências dos outros. A fé nos outros tem o seu ponto alto na fé na humanidade.

A fé irracional tem por base a submissão a um poder que é sentido como sendo imensamente forte e na renúncia do poder e da força de cada um. A fé racional baseia-se na experiência contrária, resulta da experiência e do pensamento de cada um.

Ter fé requer coragem, a capacidade de correr riscos e de aceitar a dor e a desilusão.

Amar e ser amado requer coragem, a coragem de acreditar em certos valores, de arriscar e apostar tudo nesses valores.

A prática da fé e da coragem começa com os pequenos pormenores da vida quotidiana.

Amar significa comprometer-se sem garantias, entregar-se completamente, na esperança de que o nosso amor faça com que a pessoa amada nos ame também. O amor é um acto de fé e quem tem pouca fé também tem pouco amor.

A actividade é uma atitude indispensável para a prática da arte de amar.

“O amor é uma actividade; se eu amar, estarei num estado constante de preocupação activa com a pessoa amada. Eu serei incapaz de me relacionar activamente com a pessoa amada se for preguiçoso”.

“A arte de amar está inevitavelmente relacionada com o domínio social. Se amar significa ter uma atitude de amor em relação a todos, se o amor é uma característica da personalidade, então ele deve existir não só na nossa relação com a família e os amigos, mas também com os nossos colegas de trabalho”.

“Chega-se a Conclusão que falar de amor hoje em dia, é participar de uma grande fraude; diz-se que, neste mundo, só um mártir ou um louco pode amar e que por isso, a discussão sobre o amor é apenas uma falsa moralização”.

“Quem for capaz de amar, hoje em dia, é necessariamente uma excepção à regra; o amor é, necessariamente, um fenómeno marginal na sociedade ocidental contemporânea. E não é por estarmos demasiado ocupados que não temos uma atitude de amor pelo próximo”.

26.1.07

Seguimento do estilo de celibato - Consagração

2. A vida virginal que abraçou a mãe virgem de Jesus.
. Maria é para a Vida Religiosa exemplo de virgindade ou de castidade consagrada (Cf. Lc 1, 34-37).
. Maria viveu também a sua virgindade em referência permanente à maternidade: primeiro sobre Jesus, depois sobre os discípulos.

3. Celibato cristão: não imitação mas consagração ao Senhor. O caso de Corinto.
. O objectivo de 1Cor 7 é discernir sobre o pôr em prática do ideal da continência sexual e do celibato.
. Com a nova época aberta com Jesus encontra-se uma nova forma de vida: a vida em continência perfeita.
. Motivos (segundo Paulo) para assumir a continência perfeita:
- Agradar ao Senhor;
- Preocupar-se com o Senhor e as coisas do Senhor;
- Dedicar-se ao trato assíduo com o Senhor;
- Consciencializar-se que as coisas deste mundo são passageiras.
. Paulo fala então num celibato (que ele mesmo vivia) não de seguimento ou imitação mas de consagração e dedicação.
. Paulo sabe e defende que fomos chamados à liberdade porque Jesus é o nosso único Senhor.

15.1.07

Seguimento do estilo de celibato - Virgindade de Jesus

Jesus é o primeiro iniciador e modelo do celibato.
Maria é a primícia da virgindade. (Orígenes)
O Celibato na Vida Religiosa é experiemntado como um carisma de seguimento de Jesus.
Virgindade é a vivência peculiar de união e identificação com Jesus e participação da mesma condição virginal do Ressuscitado e da sua antecipação profética no Jesus histórico.
1 - Vida em celibato a que Jesus se sentiu chamado
a) Eunuco pelo Reino dos Céus
Mt 19, 12 - Jesus defendeu os eunucos que se fazem pelo Reino de Deus porque são movidos pela experiência do Reino.
b) A família de Jesus
A Sua nova família é uma comunidade de eleitos, de discípulos e seguidores ao serviço do Reino.
A forma de vida em celibato ou virgindade dentro da Igreja, tem seu iniciador mais apreciado no mesmo Jesus e naqueles que assumiram na sua vida este estilo permanente de viver.
c) Que pensava Jesus sobre o celibato?
Celibato como forma de vida definitiva
O abandonar a mulher (o amar menos) - o que se trata aqui é o primado do próprio Jesus na vida dos discípulos e não outras interpretações.
d) Outra perspectiva: o Corpo de Jesus e a sua fidelidade à aliança
O celibato de Jesus é símbolo e parábola do Reino.
O Reino para Jesus é a sua grande missao histórica, o motivo da Sua Encarnação

18.12.06

Celibato "pelo Reino de Deus"

O seguimento de Cristo é a realidade primeira e o espaço onde se realiza o celibato, o qual é, em primeiro lugar, um dom do Espírito para viver o amor.
A sua força simbólica e escatológica dimana do facto de abrir o cristão à transcendência e ao Reino de Deus.
Uma definição de celibato: um carisma do Espírito que, suscitando a nossa liberdade, nos identifica com Jesus, célibe pelo Reino, e nos leva a amar com todo o coração.

O celibato pelo Reino de Deus como carisma e responsabilidade

A castidade é a virtude humana e cristã que nos permite viver a nossa realidade sexual de modo equilibrado e criativo.
É uma virtude para todos.
O celibato é uma forma especial, extraordinária e profética de viver a castidade. É um dom e uma tarefa.

I. O celibato como dom e como condição carismática

a) Decisão livre, motivada por uma realidade apaixonante
b) A sedução da beleza de Deus e do seu Reino

II. O celibato como resposta carismática: "eu faço voto de castidade"

a) A resposta responsável e livre ao dom primeiro
b) A integração do dom no próprio eu

A maturidade do celibato mostra-se na aceitação da própria sexualidade, na capacidade de tolerar certas frustrações, na autonomia relativamente aos pais, na disponibilidade para assumir responsabilidades, no discernimento dos próprios sentimentos e dos alheios, na disposição para o diálogo, no acolhimento das pessoas do outros sexo e no suficiente autoconhecimento.

14.12.06

A desintegraçao do amor na sociedade ocidentalcontenporânea

Capitulo 3 da obra A arte de AMAR de Fromm

Neste capitulo o autor fala essencialmente da desintegração do amor na sociedade ocidental contemporânea isto é de forma de vivência do amor que no fundo são formas viciadas do amor, são pseudo amor.
Ele faz uma analise da sociedade e mostra que ela assenta sobre duas realidades: A liberdade política e sobre a ideia do mercado.
A ideia do mercado influencia profundamente a sociedade. As coisas ganham valores porque procurado no mercado. A volta desta realidade desenvolve se uma hierarquia de valores em que o capital ocupa o primeiro lugar. Mais a concentração de capital da origem a uma administração burocrática. O ser humano não tem iniciativa, tudo depende da maquina burocrática. Esta situação aliena o homem, o desequilibra até na própria vivência do amor. Ele já não sabe amar, no entanto ele procura paliativo.
Para além desta dificuldade o autor apresenta outros problemas que decorrem de algumas experiências que não foram bem integradas, as chamadas situações neuróticas ou patológicas.
O autor acaba por dizer em jeito de proposta para uma melhor vivência do amor que o amor só é possível se as pessoas comunicarem a partir do centro das suas existências, ou seja se cada um viver centrado na sua existência. A realidade humana não existe senão nesta experiência central. É nela que está a vida, é nela que está a base do amor. O amor vivido desta forma, é um desafio constante, não é um refugio mas antes um movimento, um crescimento, um trabalho em conjunto.
to be continued....